sábado, 25 de dezembro de 2010

Benjamin e a Lua

Bom dia meu querido mar!
Que aventuras hoje você vai aprontar?
Vejo de longe muitas ostras a caminho
Mas olhe como vem aos montes, parece até um ninho!
Ei, há algo errado
Vejo ondas e peixes sendo arrastados
Por qual motivo eles nadam aos montes assim?
Ha algo errado, eu sinto em mim!
Opa, opa, estou sendo carregado também
Não sei onde vamos parar, talvez no além!
Estou subindo, subindo, chegando a superfície
Mas estou em uma rede de pesca, que triste...
Fomos pegos por esses humanos desalmados e acho que vou virar escaldado
Mas esperem, fui largado na areia
Sorte que não ligam para as pequenas ostras alheias!
Mas que inferno será este onde vim parar?
Não se parece nada com o meu bom e velho mar
Ó, solidão profunda, onde estão as outras ostras a me acompanhar?
E que claridade é essa? Será o tão famoso Sol que aquece o meu antigo lar?
Mas eu vejo o céu negro e não azul como ouvi falar
E essas manchas brancas no céu seriam nuvens ou estrelas a brilhar?
Acho que essa é a noite, a mesma que escurece o meu querido mar.

Ouço vozes, não vejo de onde
Mas como, se estou aqui tão longe?!
Acho que sei quem chama
Reconheço as ondas cantando, mas não cantam para si
Deve haver mais alguém, pois também não cantam para mim
Lá no céu, olha lá
Não é ostra, não é onda e muito menos o mar
Eu nunca vi uma criatura tão espetacular assim
E que vergonha, ela está a olhar para mim!
Olhe, é a Lua, meu querido mar
Ela me faz querer ficar aqui e nunca mais a ti voltar
Linda como ela só
Brilhante, deslumbrante! Apaixonado eu devo estar
Já não preciso mais do meu bom e velho mar
Mas quem sou eu?
Um pobre ostra apaixonado pela mais bela criatura que o mundo já conheceu
Uma Lua como essa não vai querer dividir a eternidade com essa pobre ostra apaixonada
Então só me resta observar e sonhar com a minha queria Lua amada.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Eu, flor sem raiz II

Aquela leveza
Aquele coração limpo, sincero
Toda aquela pureza que voava comigo
Agora tinham se transformado em mágoas, depois em dores que escorriam.

Hei de transformar tudo isso que era amor, em ódio.
Aliás, já comecei.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Te tenho

Te tenho tanto!
Não sempre, mas tanto
E em muitas palavras
E poucos carinhos
-Não porque quero
sabe que'u inverteria, se pudesse-
Te dou todos os meus
Todos os seus
Queridos
Passarinhos.


-Setembro.2010-

sábado, 6 de novembro de 2010

Terça-feira de carnaval


Abri as janelas, as cortinas
Os bules de chá e as gavetas
E sentei no pé da cama com os dedos tocando o céu
E marquei o tempo
Eu já contei demais

Ensaiei o carnaval
Eu sei de cór as vezes
São de outros carnavais

Abri os braços fingindo ser um gigante
E quis que as formigas fossem minhas anãs
E quis que o mundo todo fosse meu anão

Um vento frio me enganou e entrou pela janela
Não era quem eu esperava
Talvez viesse de muito longe
E ele me fez anã, se fez gigante

Dançávamos agora eu e o vento frio forasteiro
E a cena foi exatamente
Como eu havia ensaiado
Como eu havia imaginado

Só não entendo esse sorriso.

Crise de que?

Quis cavar até chegar ao meu coração cansado para, com os dentes, arrancá-lo de lá, mas só o que eu arranquei foi um pouco de sangue escuro. A dor já não me era mais suportável e o sangue derramou as palavras que a boca custava a gritar.

Arrepiei-me de medo.

Tem dó

Caíram sobre mim as águas que deságuam o silêncio e inundam as palavras. Eu, que não me incomodo com o silêncio, me encontro profundamente perturbada com tal situação que não me parece feliz. Aliás, longe disso! Deságuam também em poças rasas, as lembranças do futuro. Do nosso futuro. Futuro que agora me parece pretérito perfeito do nosso plural. Futuro que no fundo, por mais que fosse nítido, não nos parecia alcançável. Vontade é o que não falta. Não faltava. Se algo não for feito, faltará. Culpa ninguém tem, mas acho válido um bom álibi para uma causa mais digna. Algo que possa ser chamado de Amor.

sábado, 2 de outubro de 2010

Curta

O primeiro raio de sol do dia bateu no parapeito da janela e logo invadiu os seus olhos distraídos.

sábado, 18 de setembro de 2010

Fim de carnaval

Agora acabou a festa.
Acabaram as cores, as músicas, os brilhos, a purpurina, a magia
Acabaram as máscaras e toda aquela gente fantasiada
Agora, com as ruas vazias, passeiam restos de penas, serpentinas e sorrisos levados pelo vento
A cidade suja agora descansa os seus pés doídos de tanto dançar
E as lembranças dos momentos de felicidade agora são só memórias vastas e cada vez mais distantes no peito dos homens


Foram dias incríveis!
Agora serão noites assustadoramente solitárias, bem como o crepúsculo que anunciava o fim de cada dia de carnaval.
Todo carnaval tem seu fim.


Todo carnaval tem seu fim.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Amor

Foi-se o tempo em que aquele passarinho
Do tom de azul mais forte
Assobiava do meu coração
E eu ouvia aqui de fora

Agora ele tem asas grandes e fortes
E sabe voar sozinho
Ai de mim que não o guarde direitinho
Ai de mim

Eles


Ele estava no seu país, ela não. Ela estava encantada com algo que achou engraçado, ele tinha falado algo que ela gostou. Ele admirava sua demonstração de felicidade, ela demonstrava que tinha esquecido o quanto ele a fazia bem. Ela se sentia bem onde estava, ele também. Ele via uma mulher, ela uma família. Ela superava o passado, ele gostava do presente. Eles riam.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Por Camila

Amor do mais puro, do mais raro, do mais cheiroso.

E os meus

Nos raios de sol dançam fadas encantadas, que ensaiam o baile da luz coreografado solenemente nos seus olhos.

Segunda-feira de carnaval

Foi quando percebi que nenhum carnaval jamais coloriria novamente
Que nenhum mascarado me faria medo
Que poetas esquecidos seriam lembrados
E que a luz invadiria os meus olhos

Parei extática, como em face de uma visão radiante
E corri o mais rápido que pude pra a sacada ver tudo do alto da rua


Estaria lá?

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Presentes

Ganhei um beijo do sol, um abraço da chuva e um telefonema.
Um telefonema !

domingo, 25 de julho de 2010

Corda-bamba-eu

Ao certo, eu não sei mais. O certo eu nem desconfio. E não confio no vento que leva o tempo, que se agarra á angustia, ao tormento, aos arrepios, a aflição. Se avança três passos, eu recuo quatro. Se fala três palavras, eu as sussurro em silêncio calado, me equilibrando com meu guarda-chuva e sapatilhas de ballet cor de folha seca na corda-bamba. Corda que pede meus assobios como um suicida que pede a morte. E eu assobio agora a mesma canção de quando estava em terra segura e firme, para a corda-bamba, que escuta imóvel e encantada. Terra segura, nunca deixou de ser. A corda que agora toma a minha face, que me confunde. Confunde o coração. Corda-bamba sou eu, um drama. O drama. Ô, drama! A terra é segura e rompe a corda-bamba-eu.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Pai Veríssimo

"ver-te
-só ver-te-
é sorver-te como um sorvete"

De Veríssimo.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

seasons

estrela guia
guia a minha luz
sente o meu cheiro
toca a minha boca

boca que arde
de tanto fingir
de tanto contar segredos
que eu não guardei

estrela guia
guia a minha luz
fecha os meus olhos
e esconde os meus passos

em um silêncio desalmado
sente tudo em sua volta
ouve a minha respiração
pulsa o pavor em minhas veias

agora abre os meus olhos e diz que explodiu
acaba com a minha angustia
espanta a miha dor

que isso seja o fim sem precisar chegar ao fim
anima meus olhos
carrega o meu sol

e que a sua luz seja forte
mas que a minha seja melhor
que a flor que nos une
desabroche no outono
onde tudo é escuro

segunda-feira, 19 de abril de 2010

sexta-feira, 16 de abril de 2010

A morte sanguinária e melancólica

Estava careca e seu coro fora arrancado fora por suas enormes unhas roídas e quebradas. O fedor do sangue escorria tanto quanto ele próprio para todo o seu corpo. Sentada no chão, ela olhava fixamente para mim com seus olhos inundados de lágrimas, lembranças e descrenças. Lábios ressecados e rachados gargalhavam uma risada muda e de canto de boca, cínica. Tinha as mãos nos joelhos e cantarolava uma música irritante com os seus lábios petrificados que me irritava os ouvidos.
Tapei as orelhas para abafar o som podre. Ela colocou as mãos nos ouvidos caçoando de mim. Rangi os dentes com raiva, muita raiva. Ela me imitou com puro sarcasmo. Cada movimento meu era copiado por aquela cretina. O ódio me consumia. Aquele cadáver vivo maldito estava fazendo graça comigo e eu não estava ali pra aguentar isso. Cocei a cabeça e ela fez o mesmo, incrédula de qualquer perigo. Corri em direção a ela com vontade de matá-la. Com um soco certeiro, despedacei o espelho que estava na minha frente e acabei de vez com toda a lucidez do meu desespero.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Tortura Final

Com os dentes sujos de palavras, eu fechava os olhos para não invadirem a minha mente. Aquele foi o último momento e o mais crucial de todos. Eu sabia que nada que eu fizesse ou dissesse ia mudar isso, então preferi ficar calada, sentindo. Em um momento de silêncio ensurdecedor, gotas de sangue transparente queriam fugir dos meus olhos apertados. O meu pulso estava gelado e perdia a pulsação. Cada mísera palavra que era dita tanto por ela quanto por mim, feria como um dedo cortado com o papel, mas ainda sim era melhor que o silêncio surdo. Eu ia cair. Para a minha sorte, uma sombra preta sentou ao seu lado, interrompendo a tensão no ar. Eu não sabia o que era e nem o que queria, mas aliviou a dor do papel. Era a minha única chance de catar algum oxigênio para que eu sobrevivesse pelo menos por enquanto. Minutos depois (horas pra mim) a sombra se foi e o momento torturante e dilacerador voltou, então todo o ar que eu tinha encontrado, foi embora em uma fração de segundos e eu voltei a sangrar, ou melhor, chorar. A minha tortura final foi ficar sentada ao lado dela, sentindo o seu cheiro e procurando no fundo do estômago as palavras certas para dizer o quanto eu a odiava.